História

O início


Tudo começou em meados da década de 70 quando me mudei para São Paulo, começava ali minha residência médica em Cirurgia Cardíaca no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e Hospital Beneficência Portuguesa. Predominava então entre nós residentes, o consumo de cerveja e caipirinha após longas jornadas de trabalho, herança dos tempos de faculdade. No final dos anos 70 começaram a surgir matérias sobre vinhos nos jornais Folha de São Paulo e Estado de São Paulo, sobretudo de vinhos chilenos e argentinos. Havia enorme dificuldade na importação de qualquer produto europeu já que as reservas cambiais eram muito pequenas e reservadas para importação de milho, petróleo, trigo etc. Até mesmo uma simples assinatura de uma revista científica necessitava da autorização do Banco do Brasil para envio de moedas estrangeiras.

A decepção


Estimulado então pelos artigos sobre vinhos nos jornais da época e também pelo convívio com a família de minha mulher que é gaúcha, iniciei minhas primeiras experiências com vinhos nacionais que naquele tempo utilizavam, muitas vezes, uvas de mesa para a feitura dos vinhos.
A decepção foi rápida e muito grande, os vinhos eram extremamente tânicos. Por outro lado, não haviam muitas opções de vinhos do cone sul de boa qualidade por um preço razoável.

O encantamento


A minha primeira experiência agradável com um vinho foi, ao sair de um plantão no dia de natal, comprei numa padaria um vinho chileno, Santa Helena Reservado. Trata-se de um vinho muito simples, mas bem feito.
Encantei-me então com o vinho e percebi que existia sim alguma coisa muito superior ao que havia experimentado até então. Desde então iniciei uma busca incessante por bons vinhos que culminaram com esta ideia ou melhor, com este sonho de importar vinhos do velho mundo, minha grande paixão.

A busca


Parti para a Europa sem nenhum compromisso com indicação de produtores feitos por críticos ou revistas especializadas para não sofrer nenhum tipo de influência.
O início da viagem em busca de produtores de vinho que realmente poderiam surpreender a mim e aos amigos foi extremamente difícil e decepcionante. Existem centenas de produtores, mas a grande maioria ou produzem vinhos mal feitos ou apenas razoáveis que não valiam a pena este esforço enorme para traze-los ao Brasil.

O deleite


Após milhares de quilômetros percorridos e quase uma centena de vinícolas visitadas consegui 27 diferentes tipos de vinhos de diferentes regiões da França e Itália que me encantaram e me deram força e entusiasmo para superar estas imensas dificuldades burocráticas brasileiras e traze-los ao Brasil. Se tratam de “vinhos de autor”, vinhos produzidos por pequenas vinícolas e em pequena escala, sem o apelo comercial de grandes marcas, feitos com todo o cuidado e técnicas específicas, onde o autor desenvolve a idéia e administra todo o processo.
Todos eles aportaram ao Brasil pela primeira vez e são de distribuição exclusiva do Comendador. Estou seguro que não decepcionarão aqueles amantes de vinhos bem feitos. Vinhos com alma.